Fígado - Cuide bem desse Órgão


A pedido de vários internautas a 'Folha de Paranatinga' traz mais uma matéria a respeito de Saúde e Viver Bem, desta vez alertando e falando sobre o Fígado, órgão vital para nossa sobrevivência, mas nas últimas décadas, da maneira progressiva, agredido, como nunca.

Doenças como o reumatismo, asma, colesterol, cancro, etc… apresentam sempre um Fígado doente ou em más condições fisiológicas.

 Na medida em que tudo que comemos, respiramos e absorvemos pela pele deve ser “refinado e desintoxicado” pelo Fígado, especial atenção à nutrição e à dieta devemos dar em prol desse órgão vital.

O fígado é o maior órgão do corpo e tem um papel vital, realizando diversas funções complexas que são essenciais à vida. O fígado funciona como uma fonte interna de energia química para seu corpo. Mesmo ainda havendo diversas coisas que não entendemos sobre o fígado, temos certeza de que é impossível viver sem ele e que a saúde do fígado é um fator da maior importância na qualidade de vida das pessoas.


85 a 90% do sangue que deixa o estômago e o intestino carrega para o Fígado importantes nutrientes, que são lá convertidos em substâncias úteis para o corpo.

 O fígado realiza muitas atividades metabólicas únicas e de extrema importância, processando carboidratos, proteínas, gorduras e minerais, para serem utilizados na manutenção das funções normais do corpo.



Algumas funções importantes do fígado, para que você entenda melhor, são:

 • Converter a comida que ingerimos em energia armazenada e substâncias químicas necessárias à vida e ao crescimento.
 • Agir como um filtro para remover álcool e substâncias tóxicas do sangue, convertendo-as em substâncias que possam ser excretadas do corpo.
 • Processar drogas e medicamentos absorvidos pelo sistema digestivo, permitindo que o organismo as utilize de forma efetiva e, finalmente, livre-se delas.
 • Fabricar e distribuir substâncias químicas importantes para o organismo. Uma delas é a bile, uma substância de cor amarelo-ouro esverdeada, essencial para a digestão de gordura no intestino delgado.

No entanto, com o sedentarismo, alimentação praticamente à base de produtos industrializados,  o "Fígado Gordo"   já é considerado a doença do século XXI, garantem gastrenterologistas.

Ingerir excesso de álcool, exagerar na ingestão de hidratos de carbono, principalmente na forma de açúcar ou doces, consumir enchidos ou mais gordura do que o necessário, carnes gordas (principalmente as vermelhas e de porco), lombinho,  carne de vitela, maionese, Frutos do mar (camarões, mariscos e alguns peixes de alto mar), atum, salmão (em excesso), bacalhau, sardinha, laranja (em excesso), refogados, bebidas com gás,  amendoim, Miúdos (fígado, rim, coração, moela), linguiça, mocotó, caldo de carne, salsicha, pele de aves, pratos condimentados ou muito temperados, mortadela, salames, chouriços,   café em excesso, bebidas gasosas, chocolate, batatas fritas, massas, pizza, guloseimas, leite integral, creme de leite, sal em excesso, fritos,  biscoitos recheados,  queijos amarelos, requeijão, manteiga,  sopas industrializadas, vitamina 'A' (comprimidos/suplementos) e óleos de peixe em excesso, abacate em excesso, nozes em excesso, pimenta em excesso, sedentarismo, estresse, dormir pouco, não consumir fibras, prisão de ventre,  obesidade, são causas que têm efeito negativo no nosso fígado.

Na História da Humanidade, nunca se comeu tanto, em grandes quantidades, e mal, como agora. 

Consequência disso, que cada vez mais tem se feito sentir e a constatar: Doenças, Doenças, Doenças. Sofrimentos, Sofrimentos, Sofrimentos. Mortes, Mortes e Mortes! 
Realmente, a consequência pode ser desde uma insuficiência no funcionamento até problemas mais graves, como o câncer. Entre as doenças mais comum do fígado, estão a cirrose – morte de células do fígado e  perda do tecido hepático, doença essa que não tem cura pois o processo de fibrose das células hepáticas é irreversível –,  e a esteatose hepática. Tem sido cada vez mais comum crianças de 7 a 8 anos já apresentarem esteatose, causada pelo acúmulo da gordura visceral.

Vale à pena morrer pela Boca?

Claro que não.

A grande dificuldade que encontramos no tratamento das doenças do fígado é a sua forma de evolução silenciosa. As inflamações causadas pelo acúmulo de gordura em suas células e até mesmo o câncer de fígado são doenças silenciosas. Ou seja, quando os sintomas aparecem, a doença já se encontra avançada, muitas vezes, em estado irreversível, levando à falência do órgão e impossibilitando a manutenção da vida, a menos que seja realizado um transplante.


A doença crônica do fígado causa um grande desajuste nutricional e pode culminar em quadros de desnutrição grave. Isto porque, conforme já informado, o fígado é o órgão responsável pelo processamento dos nutrientes absorvidos pela dieta e também participa da produção e síntese de nutrientes essenciais à vida, como as proteínas. 

Do ponto de vista nutricional, temos dois extremos de doenças hepáticas que podem responder favoravelmente às intervenções dietéticas. Em um extremo temos pacientes desnutridos crônicos com cirrose hepática, no outro, temos pacientes obesos, muitos deles diabéticos, com acúmulo de gordura no fígado, a chamada esteatose hepática

No Brasil, as doenças gastrintestinais representam a sétima causa de morte na população, sendo a cirrose a primeira dentre elas. Como o fígado participa ativamente do processo de nutrição do organismo, suas lesões difusas e crônicas levam às cifras de desnutrição que chegam a quase 100% dos pacientes. A desnutrição na cirrose ocorre por vários mecanismos: ingestão insuficiente de alimentos, dificuldade de absorver os alimentos ingeridos, perda de proteínas pelo intestino e redução da síntese de proteínas pelo fígado. Dentre todas essas alterações, as dificuldades na ingestão adequada de alimentos é um dos mais importantes fatores que levam à desnutrição.

Nos pacientes alcoolistas, o etanol está intimamente relacionado à falta de apetite. O álcool não é apenas uma substância psicotrópica, é também fonte calórica - 1g de álcool fornece 7 calorias - chegando a suprir 50% das necessidades calóricas diárias, sem nenhum traço de nutrientes em sua formulação. Além disso, as queixas de falta de apetite e náuseas ocorrem em 87% e 55% desses pacientes, respectivamente. Algumas deficiências nutricionais são particularmente preocupantes no paciente com cirrose: a desnutrição protéica, as deficiências de vitaminas C e do complexo B, e de zinco e selênio.

Quando a cirrose se deve ao alcoolismo é muito preocupante a deficiência de vitamina A no fígado. Muitos estudos científicos relacionam esse mecanismo como um dos importantes indutores do câncer hepático relacionado à cirrose. Aqui, a terapia nutricional torna-se essencial, porque apesar da deficiência de vitamina A ser deletéria à saúde do fígado, os suplementos desta vitamina não são tolerados pelo organismo, que se intoxica com pequenas doses de suplementos de vitamina A. A opção é a administração de alimentos ricos nessa vitamina, como os carotenóides encontrados nas frutas e hortaliças de cor amarelo-alaranjado: cenoura, moranga, abóbora madura, manga e mamão; ou verde escuro: mostarda, couve, agrião e almeirão. 


Já no que toca à esteatose e a hepatite gordurosa, pode-se dizer que nunca uma doença hepática esteve tão relacionada a uma doença endócrina como a esteatose. Descobrimos a ligação através da observação de que a maioria dos pacientes obesos e diabéticos tem esse comprometimento do fígado. O órgão sofre o acúmulo de gordura em suas células, situação que evolui, muitas vezes, para uma inflamação crônica, na verdade, uma hepatite. Nas crianças e adolescentes, o quadro tem se mostrado ainda mais grave devido a maior e mais precoce exposição do fígado ao acúmulo de gordura.


Além da obesidade, o que lesa realmente o fígado parece ser uma alteração na ação da insulina chamada de resistência insulínica, comum em alguns pacientes obesos e diabéticos, justamente aqueles que desenvolvem a esteatose hepática. Quando nos deparamos com um paciente obeso sem a doença hepática, é quase certo que ele não apresenta resistência insulínica. Por outro lado é possível encontrar pacientes magros com esteatose hepática, pois, apesar de mais rara, a resistência insulínica pode ocorrer em pessoas com peso normal, tornando-as mais suscetíveis ao desenvolvimento de diabetes e de hipertensão arterial.

O mais grave da esteatose é a possibilidade que a doença evolua para hepatite, fibrose do fígado, cirrose a até mesmo o câncer hepático. Nas crianças e adolescentes, o quadro é preocupante. Estudos revelam que 10% dos adolescentes obesos e 23% das crianças obesas têm esteatose, sendo que 3% delas têm uma real inflamação do fígado provocada pela gordura, a hepatite gordurosa.

Nos adultos, as cifras indicam que 50% dos pacientes com hepatite gordurosa desenvolvem a fibrose do fígado e 3% chegam à falência do órgão, necessitando de um transplante para a manutenção da vida. Antigamente, não entendíamos o quadro de cirrose em pacientes não alcoolistas ou não portadores de hepatite viral crônica. Hoje, sabemos que a maioria dos casos de cirrose de causa indeterminada é decorrente da esteatose e da hepatite gordurosa, que evoluíram, silenciosas, durante anos, comprometendo lentamente a saúde do fígado.

A questão que gera dúvidas é o fato de que só podemos distinguir a Esteatose da Hepatite gordurosa através de biópsia do fígado, um procedimento invasivo e que não tem indicação de rotina. O mais recomendável seria tratar todos os pacientes, com o objetivo de impedir a evolução negativa para a cirrose ou para o câncer do fígadoNesse instante, a terapia nutricional se faz presente como a principal arma.



Realmente, a Dietoterapia pode melhorar o estado nutricional desses pacientes, nos seus dois extremos, reduzindo complicações e melhorando a qualidade de vida.

Pesquisas recentes têm indicado que a perda de peso de até 8kg causa um impacto favorável nesses pacientes, uma vez que provoca a Redução da resistência insulínica, além de levar à perda de gordura do fígado. Além da dieta, vários medicamentos têm sido propostos como auxiliares na redução da resistência insulínica do fígado. Enquanto as pesquisas avançam, a Dieta e a Perda de peso são os pontos de consenso na literatura médica no combate a essa grave doença que aflige silenciosamente milhares de pessoas no mundo todo.


Alguns sintomas de um fígado doente  podem ser dores de cabeça ou outro tipo de mal-estar, mas existe a possibilidade de regenerarmos esse nosso órgão que é o mais afectado pelo consumo excessivo de bebidas e alimentos impróprios, conforme acima já exemplificado. 

Segundo um estudo de um grupo de nutricionistas brasileiros, se consumirmos durante dois dias alguns alimentos, poderemos recuperar a saúde do nosso fígado.



Nesse sentido, seguem-se algumas dicas importantes: Um dos nutrientes que tem a função de limpar o fígado é o enxofre, presente principalmente em vegetais mais escuros, como a couve, os brócolos e o agrião. O suco verde, que contém agrião e couve, pode ser tomado duas vezes ao dia.

Para quem não consegue viver sem comer carne, aminoácidos como a leucina, encontrado em carnes magras, por exemplo, ou na castanha do Pará (com moderação), bem como a cisteína da lentilha, do feijão branco e do grão-de-bico também fortalecem as enzimas que limpam o organismo e ajudam a regenerar o fígado.

A fruta também tem um potencial anti-inflamatório e alimentos de coloração arroxeada, como couve roxa ou beterraba também contribuem igualmente para que este órgão fique mais limpo. A beterraba é a “mãe do fígado”, por contribuir com a desintoxicação hepática. Ainda alimentos, que tem alcalóides, como a rúcula, almeirão, mostarda e agrião são desintoxicantes. A substância também está nos chás: chapéu de couro, carqueja e boldo. A canela tem a capacidade de acelerar o metabolismo e reduzir o açúcar no sangue. Água-de-coco e uvas são também boas pedidas. Frutas secas são ótimas. A mistura composta por salsa, cenoura, beterraba, couve e suco de lima, que pode ser preparada em casa e tomada em jejum, é excelente para a limpeza do fígado. A Maçã é descongestionante do fígado. O Melão é hidratante e remineralizante. Favorece a reposição da água e das sai minerais, que se perdem nos casos de doenças infecciosas. Cerejas, morangos e groselhas contêm importantes antioxidantes e melhoram a circulação a nível portal no fígado. Ameixa é pobre em sódio, gorduras e proteínas pelo que é adequada nos casos de doenças hepáticas.  Framboesa facilita a eliminação das substâncias que produzem as infecções. Kiwi é inmunoestimulante por seu conteúdo em oligoelementos, minerais e vitamina C.

Aumentar o consumo de alimentos com propriedades antibióticas (alho, cebola, rabanetes, alho-porro, etc.), e daqueles que estimulam a atividade do sistema imune e dos que possuem ação alcalina, como o limão e acerola, constituem em atitudes sábias.


Os Cereais integrais também são importantes, pois apresentam hidratos de carbono complexos que contribuem com vitaminas do grupo B, necessárias para o bom funcionamento hepático. A geleia real é também indicado pois contém vitaminas do complexo b.

Óleos de sementes de primeira pressão em frio, como azeite de oliva, rico em ácido oléico, capaz de manter o equilíbrio entre as gorduras saturadas e insaturadas, apresenta-se com boa indicação.


Lecitina de Soja, contém colina, uma vitamina necessária para o metabolismo hepático, sendo, também, recomendada.


As vitaminas do complexo B, especialmente a vitamina B-12 e o ácido fólico, tendem a diminuir em caso de doença hepática, pelo que é recomendada a suplementação. O Levedura de cerveja, fonte importante de vitaminas do grupo B, selênio, zinco, inositol e colina, é indicado em muitos casos.

 Ademais, alguns nutricionistas recomendam doses elevadas de vitamina C, pois são da opinião de que esta vitamina ajuda a reduzir inflamações hepáticas, como a hepatite. A hepatite tóxica em geral é de origem alimentar ou medicamentosa. No que respeita aos minerais, o selênio, devido às suas características  antioxidantes, parece ajudar a reduzir a incidência de hepatite. Outros  nutrientes antioxidantes podem ser úteis, pois ajudam o fígado a ganhar imunidade. 

As plantas medicinais não podem ser deixadas de fora. Pode-se fazer uma infusão de só uma das plantas, p. ex., três colheres de sopa para um litro de água, e beber esta infusão ao longo do dia. No entanto, para o efeito ser melhor, convém fazer uma tisana (mistura de várias plantas). Compra-se um pacote de cada uma delas (ou daquelas que conseguirem encontrar), e juntam-se todas num recipiente. Depois é só usar três colheres de sopa desta mistura para um litro de água e beber igualmente ao longo do dia.

Plantas mais usadas para desintoxicar o Fígado:

Alcachofra – É diurética, desintoxicante, depurativa e promove a digestão das gorduras;
Boldo – Aumenta e favorece o fluxo biliar;
Borututu – É uma raiz rica em quinonas, catequinas, polióis e biflavnóides altamente desintoxicante e purificadora;
Cardo mariano - Contém silimarina, que protege contra as mais severas necroses hepáticas;
Funcho – Planta excelente para ajudar no processo digestivo. Útil a quem tem problemas de dificuldade de digestão e também prisão de ventre;
Taraxaco – contribui para aumentar a produção de bílis.

Alfafa - Rica em oligoelementos e minerais que favorecem a síntese de anticorpos.
Dente de leão - Tal qual a alcachofra e o cardo é um dos indicados na alimentação do doente hepático. É um grande desintoxicante e depurativo do fígado.

Veja Mais - Cardápio para limpar o organismo:

Café da manhã:
- suco de limão com couve - meia folha de couve pra 1 copo de suco de limão. O limão é apenas o veículo para o couve. Por ser verde escura, a couve tem vitamina b6, magnésio e ácido fólico, elementos que agem como regeneradores hepáticos.

 - para quem não consegue ficar sem o pão, que seja pão sem miolo - o fígado é o responsável pelo metabolismo mecânico. Quanto mais carboidrato a pessoa ingerir, mais trabalho o fígado vai ter. Quando o órgão está adoecido, ele fica mais fraco. Portanto, a ingestão de carboidratos cansa o fígado e acaba prejudicando-o.

 - queijo branco - como opção para colocar no pão, o queijo branco sustenta bem a vontade do salgado. Poderia, também, ser uma geléia sem açúcar. O recomendável é não colocar manteiga ou margarina, que têm muita gordura e acabam prejudicando o fígado.

 - chá - de chapeu de couro com casca de mãça e canela, ou chá verde, ou chá de maçã. A canela é remédio para diminuir insulina. A maçã, além de anti oxidante, suavisa o sabor.

Lanche:

 castanhas ou frutas - 4 castanhas ou 6 amêndoas - são fontes dos ômegas 3 e 6, que são importantes para fortalecer o sistema imunológico e servem como ati inflamatório. As frutas são sempre boas opções de lanche. O ácido presente na maçã, por exemplo, é um composto anti inflamatório. O suco da maçã é regenerativo.

 almoço: salada com folhas escuras - repolho, almeirão , brócolis, agrião, rúcula, alface , mostarda, couve e espinafre são alimentos que tem enxofre. Esses alimentos possuem substâncias que vão limpar as vias do seu corpo. O fígado produz uma enzima que limpa o corpo, mas ela só a produz quando o corpo ingere enxofre (couve flor, brocolis, couve, couve de bruxelas são bons exemplos). Feijão branco ou lenetilha ou grão de bico - estes alimentos possuem colina. O elemento ajuda na limpeza do fígado. Possuem, também, taurina. A substância é destoxificante. Ela varre as toxinas.

 - carne branca ou peixe - a sardinha é uma fonte de ômega 3. Substituir a carne vermelha por carnes brancas ou peixe é uma boa ideia porque o fígado tem muito trabalho na digestão das carnes vermelhas. O processo de metabolização da carne branca é mais leve, exige menos esforço do órgão.

Lanche da tade:

 chá e biscoito integral - maçã com canela, chá verde. Não são recomendados chás muito misturados, ou chás que incentivam o funcionamento do intestino ou, ainda, para perder peso.

Jantar:

 - o jantar pode ser uma repetição do que foi ingerido pela manhã. Sanduíches com pasta magra (de ricota, por exemplo). O sanduíche pode ser feito com pão sírio. Ele é mais leve que o pão de sal. Leva menos farinha e, portanto, tem menos carboidrato, sendo conveniente para o fígado. Quem quiser outra opção pode fazer uma sopa de lentilha, de grão de bico, de cenoura ou, ainda, de espinafre ou couve.


Veja Matérias abaixo:

Caroline para Folha de Paranatinga  


Ajudando o fígado com a alimentação

Fígado Saudável
 É totalmente impossível se poder realizar uma dieta igual para todos os que sofrem do fígado, isso porque o fígado deve metabolizar (processar) tudo aquilo que comemos ou bebemos. 

Lamentavelmente o fígado não trabalha de forma igual em todas as pessoas. Algumas têm maior facilidade ou dificuldade em realizar determinadas funções, dificuldades aumentadas quando o fígado se encontra danificado por alguma doença presente ou passada. Também influem no seu funcionamento os abusos por falta de cuidados do próprio individuo, como o excesso no consumo de bebidas alcoólicas, o peso excessivo, a má nutrição, o sedentarismo, o uso de drogas e até do cigarro.

 Dependemos do fígado para nos manter vivos, motivo pelo qual se fala que o fígado e a maior fabrica que possuímos. Para tal mais de quinhentas funções diversas devem ser realizadas dia e noite para que possam ser produzidas as diversas enzimas, proteínas, vitaminas, fatores de coagulação, antialérgicos, colesterol, bílis, etc., etc..
Fígado com Cirrose - Imprestável; Morte a caminho 

 O organismo ingere muitas substancias que não são benéficas, cabendo ao fígado as eliminar e evitar que sejam absorvidas. Na alimentação ingerimos agrotóxicos, conservantes, corantes, espessantes, estabilizantes, álcool, etc. e ao respirar absorvemos tóxicos resultantes da poluição, da combustão dos motores dos carros, da fumaça dos cigarros e, tudo isso vai para o sangue o qual deverá ser depurado pelo fígado.

 Quando o fígado e forçado a trabalhar em demasia a reação natural será aumentar de tamanho (inflamar) na tentativa de assim poder absorver e processar o trabalho extra, mas e nesse ponto que reside o perigo. A definição de hepatite indica "inflamação" do fígado, aumento de seu tamanho.

 Uma alimentação que não obrigue o trabalho excessivo do fígado pode ajudar a evitar uma maior progressão na velocidade do dano às células hepáticas. A alimentação e o condicionamento físico são elementos importantes para tal.

Câncer de Fígado
 Ingerir alimentos que não obriguem o fígado a trabalhar intensamente resulta em menor atividade inflamatória. Se a alimentação inclui alimentos "depurativos" que ajudem a eliminar as toxinas do organismo e combater os radicais livres, estaremos ajudando o fígado a cumprir sua missão. 

 O alimento que devemos evitar de forma radical é a bebida alcoólica (totalmente proibida para quem tem hepatite B ou C). Já entre os que devemos limitar nas quantidades temos os alimentos gordurosos, já que eles obrigam o fígado a aumentar a produção de bílis para o processamento, mas gorduras são necessárias para o organismo, sendo uma boa opção substituir as gorduras animais pelas gorduras e óleos vegetais.

 As proteínas animais podem ser substituídas por frutas secas, cereais integrais e legumes. Refrigerantes que contem gás carbônico obrigam o fígado a um trabalho extra. Comidas enlatadas ou congelados industriais contem gorduras e sal em excesso, devendo dar preferência a alimentos frescos, de preferência evitando aqueles fritos.

 O alho, a cebola, aspargos, pepino, legumes amargas (chicória, acelga, alface, etc.) banana, maça, manga, pêssegos, aveia, limão, pimentão, laranja, tangerina, melão, melancia, cenoura, ameixa, batata, batata doce, espinafre, uva, azeitona, pêra, morango, feijão, arroz, milho e muitos outros alimentos naturais são de fácil metabolização pelo fígado. Podemos ver que a alimentação continua rica e variada, sem maior esforço numa dieta balanceada.

 Alimentos e frutas que contem antioxidantes também são altamente recomendados por que conseguem combater os radicais livres produzidos quando o fígado está inflamado e doente. Todos aqueles que contem vitamina A, C ou E são altamente recomendados. O chã verde, a alcachofra, os sucos com vitamina C como o de laranja, tangerina, limão.

 Mas para descobrir qual e a sua dieta a minha recomendação pessoal e que você mesmo encontre qual e a sua linha invisível do organismo. Um nutricionista poderá ajudar a compor uma dieta indicada para seu organismo, porém é o seu próprio corpo que vai determinar quais alimentos são mais bem aceitos e metabolizados. Escute as respostas, os avisos e os alertas que o corpo lhe envia, e você conseguirá organizar sua dieta personalizada, individual, exclusiva para seu organismo; aquilo que acostumo chamar de Dieta da linha invisível do organismo. 

 Sim, o nosso fígado nos fala após a ingestão de qualquer alimento. Se após uma refeição o nosso corpo se ente "pesado" com sensação de cansaço, dor de cabeça, aquela sensação de "caiu ruim", então esse e um sinal do fígado nos indicando que por culpa de algum alimento ele está sendo forçado a trabalhar em excesso.

 É muito fácil conseguir elaborar sua dieta ideal observando a reação do corpo, os seus sinais, após cada refeição. Se você se sentir sonolento, com o corpo pesado ou com dor de cabeça, é um sinal de alerta para seu corpo, que está informando que algum dos alimentos ingeridos na última refeição não é indicado para o seu metabolismo. Seu corpo está sentindo dificuldade de digeri-lo, sobrecarregando assim o seu fígado.
Vida Saudável

 Então, será necessário identificar, entre todos os alimentos ingeridos na última refeição, qual deles não é bom para nosso organismo. Para isto, nos próximos dias, deveremos experimentar, um a um, separadamente, cada alimento ingerido, até encontrar aquele que vai desencadear aquela mesma reação no nosso organismo.

 Bom, agora já estamos sabendo que este alimento não é bem aceito no nosso corpo e com certeza o nosso organismo vai agradecer se o eliminamos da dieta ou pelo menos diminuirmos a quantidade ou freqüência com que o ingerimos.
Fígado Doente

 Assim, após alguns meses observando seu próprio organismo, você mesmo terá conseguido realizar uma lista de alimentos inconvenientes para sua dieta, o que significa que o seu cardápio passará a ser o ideal para seu organismo. Porém, siga o sábio conselho de escrever num papel os alimentos que nos causam problemas, senão, com certeza, você vai repetir muitas vezes os mesmos erros. 
Alimentação Saudável

 Ao final de vários meses, você vai sentir seu organismo mais leve, livre, com maior energia e disposição física, pois só estará ingerindo alimentos que seu corpo processa e aceita com facilidade. Isto vai gerar menos radicais livres e conseqüentemente menos inflamação em todos os órgãos, músculos e tecidos, propiciando um beneficio fantástico. 

Carlos Varaldo
 Grupo Otimismo

Fonte: Hepato.com


"Fígado gordo" será a doença do século XXI, garantem gastrenterologistas

 Dentro de 15 anos não vai ser a Hepatite C, mas sim a esteatohepatite não alcoólica ou NASH que tornar-se-á no grande mal do século XXI. Esta foi uma das principais conclusões a que se chegou no "XXII Congresso Nacional de Gastrenterologia e de Endoscopia Digestiva", realizado de 10 a 13 de Junho, no Tivoli Marinotel, em Vilamoura. Participaram desta evento cerca de 900 especialistas, sendo que destes 50 eram enfermeiros e 300 clínicos gerais, algo que ocorreu por primeira vez. 

A esteatohepatite, também conhecida como "fígado gordo" é uma forma de hepatite crónica com aspectos histológicos semelhantes aos da doença hepática alcoólica (cirrose), na ausência de ingestão excessiva de álcool. Em alguns casos, há estudos realizados na Dinamarca mas que ainda não foram confirmados, esta doença pode estar associada ao cancro do fígado. 

Explicando de uma maneira mais simples, esta doença significa que uma pessoa tem gordura no fígado. Normalmente, isto ocorre principalmente em indivíduos que já são obesos, nas diabéticas e naquelas que têm colesterol e outros lípidos no sangue altos. 

"Durante certo tempo, manter esta gordura dentro das células não faz mal; contudo, depois há qualquer razão, como por exemplo, se a pessoa teve uma infecção ou tomou um medicamento ou abusou um pouco do álcool e, de um momento para o outro, começou a fazer mal ao fígado", explicou Miguel Carneiro de Moura, presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia. 

Mas pode haver excepções. Há a possibilidade de que factores genéticos sejam os responsáveis por esse acúmulo de gordura. "Duas pessoas podem comer igual quantidade de gordura, mas se uma delas tiver a pouca sorte de ter uma alteração num determinado gene, uma pode não ficar doente e a outra sim", acrescentou. 

Hoje em dia, nos Estados Unidos a esteatohepatite representa a segunda causa em número de consultas, perdendo apenas para a hepatite C. Os especialistas asseguraram que o "fígado gordo" é uma doença típica dos países com maior desenvolvimento, ou seja, onde as pessoas comem mais. 

Em Portugal não existem estudos feitos que digam qual é o número exacto de doentes com esteatohepatite. Por essa razão, o professor Miguel Carneiro de Moura, que também é director da Unidade de Hepatologia do Hospital de Santa Maria, exemplificou com as estimativas que há na Itália, dizendo que a diferença entre ambos países rondará os cinco por cento. "Os números variam, mas no nosso país pode ser que hajam umas 300.000 pessoas e as mulheres são as mais afectadas", afirmou. 

Quanto ao tratamento, não existe um definido. A proposta que existe actualmente é a tentativa de correcção dos factores associados, nomeadamente o emagrecimento através da dieta e do exercício físico, que deve ser feito de forma regular, levando a um aumento de sensibilidade à insulina. 

Outro aspecto importante: deve estar-se atento ao controlo da diabetes. Fármacos como o ácido urso-desoxicólico foram ensaiados com sucesso relativo. Dada a importância da resistência à insulina, poderão vir a ser fundamentais os antidiabéticos, como a Metformina ou as Tiazolidonas. 

Hepatite C 

Apesar de tudo, Miguel Carneiro de Moura ressaltou que as hepatites víricas, principalmente a C, constituíram o principal tema das preocupações durante o congresso. Por esta razão, foram apresentados trabalhos principalmente sobre a Hepatite C. A boa notícia é que hoje já há possibilidade de cura para os pacientes deste tipo de doença. 

Desde a sua descoberta, há cerca de 12 anos, a hepatite C tornou-se um grande problema de saúde pública. No mundo existem cerca de 170 milhões de pessoas com esta doença. Em Portugal o número estimado é de 150.000, seis vezes mais do que os que estão afectados com o vírus da Sida. "A hepatite C representa hoje 60 por cento da prática clínica dos hepatologistas", ressaltou o professor Miguel Carneiro de Moura. 

Ao contrário do que se passa com a hepatite A e B, não existe uma vacina para a hepatite C e o vírus pode causar doença hepática grave, como a cirrose e o cancro do fígado. Conforme o tipo de vírus, varia o percentual de recuperação. Para o vírus 1 (o mais frequente em Portugal), a cura pode chegar a 50 por cento. Pode parecer pouco, mas quando se tem em conta que anteriormente esta percentagem era somente de 25 por cento, a perspectiva muda. Para os vírus 2 e 3, a probabilidade de ficar bem aumenta até 90 por cento. "Não é que os medicamentos passem a ser melhores, mas terão menos efeitos adversos", confirmou o presidente. 

Ainda em relação a hepatite C houve uma grande notícia para aqueles doentes que têm esta doença associada à Sida. Miguel Carneiro Moura ressaltou que até agora havia uma certa relutância em tratá-los. "Com grande surpresa, foram apresentados trabalhos que mostram, como a experiência do Porto, que é possível obter bons resultados quando se trata dos vírus 2 e 3; em 65 por cento dos casos os medicamentos foram bem tomados pelos pacientes". 

O principal modo de transmissão é de sangue para sangue, com cerca de 80 por cento dos casos. Embora ainda não esteja calculado em Portugal, estima-se que cerca de 12.000 portugueses adquiriram a infecção por transfusões realizadas antes de 1991. A transmissão sexual e a transmissão da mãe para o recém nascido existe, embora seja pouco frequente representa menos de 3 por cento das situações. 

Novidades 

Uma das grandes novidades introduzidas por este congresso foi a linha verde. As ligações encerraram-se às 13:00 horas de ontem, dia 13 de Junho, e durante os três dias dois especialistas ligados ao sector da gastrenterologia estiveram respondendo às dúvidas - de Norte a Sul - de diversas pessoas. Foram registadas cerca de 300 chamadas telefónicas. "Fiquei realmente impressionado; é preciso que fique claro que não fizemos consultas, pois as pessoas ligaram para fazer perguntas, tirar dúvidas e pedir sugestões", esclareceu Miguel Carneiro de Moura. 

As perguntas foram principalmente sobre as hepatites (sobretudo a C), os problemas de azia e má digestão, o cancro do cólon, alterações no intestino (como as diarreias e prisão de ventre) e poucas sobre o "fígado gordo". 

Durante o congresso foram apresentados 48 trabalhos orais. Os temas principais foram o cancro do cólon e os avanços que existem para se conhecer os mecanismos que levam a este tipo de doença. Ainda de acordo com o presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia, esta doença não aparece de um momento para outro, mas sim através de uma via que começa, na maioria das vezes, por uma alteração na mucosa. "Daí a necessidade de detectar as lesões o mais precocemente possível", admitiu. 

Actualmente existem estudos genéticos e moleculares - e que foram apresentados durante estes três dias - e uma novas técnicas endoscópicas, como a cromoscopia e a endoscopia de ampliação. No caso da primeira técnica, o que se faz é pôr um corante (de cor azul) na zona. Este fixa áreas alteradas, o que permite que os médicos realizem biópsias mais precisas. Já no segundo caso, trata-se de um exame - mais caro e demorado - que fornece uma imagem ampliada da área em estudo e permite ver outras alterações e encontrar lesões suspeitas. 

Mas, sem dúvida nenhuma, uma das grandes novidades revelada durante o congresso e que promete revolucionar os tratamentos neste sector é a cápsula endoscópica. "O paciente engole uma pequenina cápsula, que percorre todo o intestino delgado e que detecta desde lesões vasculares a tumores e que tinham escapado da nossa vista mesmo depois de fazer estudos exaustivos", enfatizou o professor Miguel Carneiro de Moura. 

Devido a grande aceitação que há por parte dos pacientes a este tipo de tratamento, já começa a estudar-se a possibilidade de realizar uma cápsula semelhante que permita ver, também, o esófago e também o cólon. 

A notícia que não é muito boa é que este exame é bastante caro. Só a cápsula custa, actualmente, mais de 498,80 euros (cem contos). O exame completo pode chegar a 897,84 euros (180.000 escudos). Nestes momentos, os principais centros universitários já a tem e estão a fazer o tratamento gratuitamente. Contudo, só a partir de Outubro de 2003 estará disponível em todo o país.

Fonte: Diário On Line; RegiãoSul.pt


O que é que nutrição tem a ver com seu fígado?


Nutrição e fígado estão inter-relacionados de diversas maneiras. Algumas funções são claramente entendidas; outras não. Desde que tudo o que comemos, respiramos e absorvemos através de nossa pele deve ser purificado e desintoxicado pelo fígado, uma atenção especial à nutrição e dieta pode auxiliar a conservar o fígado saudável. Em um número variado de doenças hepáticas, a nutrição assume uma importância considerável. 

Porquê o fígado é importante?

O fígado é o maior órgão do corpo humano e cumpre um papel vital, desempenhando variadas e complexas funções, essenciais à manutenção da vida. Seu fígado trabalha para você como uma usina de energia química. Embora existem muitas coisas que ainda não entendemos referentes ao fígado, nós já sabemos que é impossível viver sem ele, e que a saúde do fígado é um fator fundamental na qualidade de nossa vida. 

Algumas funções relevantes do fígado são:

> Converter os alimentos que ingerimos em energia armazenada e elementos químicos necessários à vida e o crescimento;

> Agir como um filtro para remover álcool e substâncias tóxicas da corrente sanguínea e converte-los em substâncias que possam ser excretadas do corpo;

> Processar drogas e medicamentos absorvidos pelo sistema digestivo, permitindo ao corpo usa-los de forma efetiva e a posterior eliminação dos mesmos.

Elaborar e exportar aos respectivos órgãos, elementos químicos essenciais utilizados pelo corpo. Um destes elementos é a bile, substância amarelo – esverdeada, essencial para a digestão de gorduras no intestino delgado.

Porquê o fígado é tão importante na nutrição?

De 85% a 90% do sangue que sai do estômago e intestinos leva importantes nutrientes ao fígado, onde esses nutrientes são convertidos em substâncias que o corpo pode utilizar.

O fígado desempenha muitas importantes e únicas funções metabólicas tais como processar carboidratos, proteínas, gorduras e minerais, a serem usados na manutenção normal das funções do corpo. 

Carboidratos, ou açúcares são armazenados como glicogênio no fígado e são liberados como energia entre as refeições ou quando as demandas de energia do corpo são elevadas. Desta forma, o fígado auxilia a regular o nível de açúcar no sangue, e a prevenir uma condição chamada hipoglicemia, ou açúcar baixo no sangue. Isto nos possibilita manter um nível equilibrado de energia ao longo do dia. Sem este equilíbrio, nós necessitaríamos comer constantemente para conservar nossa energia.

Proteinas chegam ao fígado em sua forma mais simples, chamada de aminoácidos. Uma vez no fígado os aminoácidos são liberados nos músculos como energia e armazenados parra uso posterior, ou convertidos em uréia para sua excreção pela urina. Certas proteínas são convertidas em amônia, um produto metabólico tóxico, por bactérias no intestino ou durante uma queda de proteína do corpo. A amônia deve ser quebrada pelo corpo e convertida em uréia, sendo então excretada pelos rins. O fígado tem também a habilidade única de converter certos aminoácidos em açúcar para energia rápida.

Gorduras não podem ser digeridas sem bile, que é produzida no fígado, armazenada na vesícula biliar, e liberada conforme a necessidade no intestino delgado. A bile (especificamente “ácidos” biliares), age de maneira semelhante a um detergente, quebrando a gordura em pequenas gotículas que são absorvidas após sofrer a ação de enzimas intestinais. A bile é também essencial parra a absorção de vitaminas A, D, E, e K, que são lipossolúveis. Após a digestão, os ácidos biliares são reabsorvidos pelo intestino, retornam ao fígado, e são reciclados como bile mais uma vez.

Pode uma nutrição deficiente causar doença hepática?

Existem diversos tipos de doença hepática, e as causas de maioria delas são ainda desconhecidas. A falta de nutrição não é geralmente uma causa, com exceção de doença do fígado por alcoolismo e doença hepática encontrada entre populações desnutridas. É muito mais provável que a desnutrição seja o resultado de uma doença hepática crônica, e não sua causadora.

Por outro lado, uma boa nutrição (dieta balanceada com calorias, proteínas, gorduras e carboidratos adequados) pode realmente auxiliar um fígado danificado a regenerar novas células hepáticas. De fato, em algumas doenças do fígado, a nutrição se torna uma forma fundamental de tratamento. Os pacientes são enfaticamente aconselhados a NÃO tomar terapias com megavitaminas ou usar produtos nutricionais comprados em lojas especializadas ou por catálogo, sem antes consultar um médico.

De que modo a doença hepática afeta a nutrição?

Muitas doenças crônicas do fígado estão associadas com nutrição deficiente. Uma das mais comuns é a cirrose. Cirrose é a substituição de células danificadas do fígado por cicatrizes de tecido fibroso, que interrompem as importantes funções do fígado. A cirrose acontece como resultado da ingestão excessiva de álcool (causa mais comum), hepatites virais ordinárias, obstrução dos dutos biliares, e exposição a certas drogas ou substâncias tóxicas.

As pessoas com cirrose freqüentemente sentem perda de apetite, náusea, vômitos e perda de peso, o que provoca uma aparência emaciada. Somente a dieta deficiente não contribui ao desenvolvimento desta doença do fígado. Pessoas que estão bem nutridas, por exemplo, mas bebem grandes quantidades de álcool, se encontram também sujeitas a doença alcoólica.

Adultos com cirrose requerem uma dieta equilibrada, rica em proteínas, fornecendo entre 2.000 e 3.000 calorias diárias, para permitir a regeneração das células do fígado. Todavia, proteínas em excesso resultam em uma quantidade excessiva de amônia no sangue; por outro lado, proteínas muito baixas podem reduzir a recuperação do fígado. Os médicos devem prescrever cuidadosamente a quantidade correta de proteínas necessárias para uma pessoa com cirrose. Adicionalmente, o médico clínico pode utilizar duas medicações (lactulose e neomicina) para controlar os níveis de amônia no sangue.

Que outros problemas nutricionais são causados pela cirrose?

Quando as cicatrizes da cirrose interferem com o fluxo sanguíneo do estômago e intestino ao fígado, pode se desenvolver uma condição chamada de hipertensão portal. Isto simplesmente significa que há pressão posterior nas veias que entram no fígado. “Desvio” cirúrgico, ou redirecionar o sangue que sai do fígado para a circulação geral, pode aliviar esta pressão, mas isto freqüentemente causa uma nova série de problemas. Como o sangue foi “desviado” do fígado, ele contem altos níveis de aminoácidos, amônia, e possivelmente toxinas. Quando estes elementos alcançam o cérebro, causam uma condição chamada de encefalopatia hepática, que significa “impedimento mental causado pelo fígado”. Os pacientes ficam confusos e sobrevém uma perda temporária de memória.

A nutrição pode ser usada para tratar encefalopatia hepática?

A restrição da quantidade de proteínas na dieta tem sido usada no passado, mas pode causar desnutrição. A maioria dos médicos prescreverá lactulose e / ou neomicina para pacientes em estas condições.

Alimentos a serem evitados: Mariscos e frutos do mar, quando ingeridos crus podem ser muito perigosos para pacientes com cirrose. Deve-se evitar os mariscos ou ser extremamente cuidadoso para cozinhar eles completamente. O Vibrio vulnificus, é uma bactéria que pode ser contraída ao comer ostras cruas. 

A dieta pode auxiliar no tratamento de outras complicações da cirrose?

Existe uma série de complicações da cirrose que podem ser aliviadas através de uma dieta modificada.

Pessoas com cirrose freqüentemente experimentam um desconfortável acúmulo de líquido no abdome (ascite) ou inchaço dos pés, pernas e dorso (edema). Ambas condições são resultado da hipertensão portal (pressão aumentada nas veias que entram no fígado). Desde que o sódio (sal) estimula o corpo a reter água, os pacientes com retenção de líquidos podem cortar sua ingestão de sódio, evitando comidas tais como sopas e vegetais enlatados, embutidos, laticínios, e temperos tais como maionese e catchup. De fato, a maioria das comidas prontas contém quantidades consideráveis de sódio, ao passo que comidas frescas não contém praticamente sódio algum. O suco de limão é um substituto de paladar agradável para o sal. 

Existem outras doenças hepáticas nas quais mudanças específicas na dieta podem ser benéficas?

Boa nutrição e uma modificação na dieta tem um efeito significativo sobre uma série de outras doenças hepáticas. Alguns tipos de enfermidades de fígado, por exemplo, causam uma acumulação de bile no fígado que é chamada de colestase. Isto significa que a bile não pode passar ao intestino delgado para ajudar na digestão de gorduras. Quando isto acontece, a gordura não é absorvida, mas excretada em grandes quantidades nas fezes, o que é facilmente percebido por causa do mau cheiro e coloração pálida das fezes. Esta condição é conhecida como esteatorreia. A perda de calorias gordurosas pode também causar perda de peso. 


 A substituição de gorduras, tais como triglicérides de cadeia meia (óleo MCT), e óleo de cártamo podem ajudar a aliviar esta condição porque eles são menos dependentes daa bile para absorção intestinal. Eles podem ser usados como outros óleos de cozinha, assar e como tempero de saladas.

Pacientes com esteatorreia podem também ter dificuldade em absorver vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K) . Todavia, vitaminas solúveis em água são absorvidas normalmente. É possível suplementar a dieta com vitaminas lipossolúveis, embora isto deve ser realizado somente sob orientação médica. A ingestão de vitamina A em quantidade maior que a necessária resulta extremamente tóxica para o fígado.

Doença de Wilson, na qual grandes quantidades de cobre podem ser acumuladas no corpo, é outra afecção do fígado onde a dieta pode ser benéfica. Pessoas com a doença de Wilson devem evitar comer chocolate, nozes, mariscos e cogumelos, todos alimentos que contem cobre. O tratamento para remover o excesso de cobre do corpo envolve o uso de remédios prescritos pelo médico.

Hemocromatose é uma doença na qual grandes quantidades de ferro são transportadas do intestino e se acumulam no fígado. Pessoas em esta condição devem evitar injeções de ferro, todo alimento que contenha ferro, são também avisadas a não usar utensílios de ferro na sua cozinha. Alem destas precauções, as pessoas com hemocromatose podem seguir uma dieta normal.

O que é fígado gorduroso? É causado pela ingestão de gorduras em excesso?

Fígado gorduroso não é uma doença, mas um achado patológico. O termo mais apropriado é “infiltração de gordura no fígado”. Não é causada pela ingestão excessiva de gorduras.

As causas nutricionais de gordura no fígado incluem: desnutrição, obesidade, falta de proteínas e operação de bypass intestinal para obesidade. A gordura entra no fígado pela dieta e pela gordura armazenada no tecido gorduroso. Sob condições normais, a gordura da dieta é habitualmente metabolizada pelo fígado e outros tecidos. Se o montante excede a quantidade requerida pelo corpo, esse excesso é armazenado no tecido gorduroso. Se o tecido gorduroso é causado por diabete, a insulina tratará o problema. A gordura no fígado resultante de nutrição deficiente deve ser tratada com uma dieta bem equilibrada de carboidratos, proteínas e gorduras, segundo especificação médica.

A gordura no fígado pode também ser causada por certos compostos químicos, e por distúrbios endócrinos. Em estes casos, o tratamento deve ser diretamente ligado à causa. 

Duas maneiras de evitar gordura no fígado:

> Diminuir a ingestão de álcool (o álcool pode diminuir a atividade do metabolismo e secreção de gordura, levanto a condição de fígado gorduroso);

> Vigiar a dieta (desnutrição e dieta pobre em proteínas podem resultar no acúmulo de gordura no fígado).

A maioria dos casos de acúmulo de gordura no fígado se deve a obesidade. A redução gradual de peso no decorrer do tempo, reduzirá o aumento de tamanho do fígado devido ao acúmulo de gordura e outras anormalidades associadas.

O que há mais adiante?

A relação entre nutrição e fígado se encontra sob investigação. Até que extensão boa nutrição e dieta adequada podem controlar ou talvez até evitar doenças hepáticas, é somente uma conjectura no presente. Maiores pesquisas em esta área poderão provar o benefício, e estão sendo mantidas pela Fundação Americana do Fígado.

A Fundação Americana do Fígado é uma instituição nacional voluntária na área da saúde, dedicada a achar as causas e curas para doenças hepáticas. Previamente à sua formação, não havia nenhuma organização focada em fígado e doenças hepáticas em bases nacionais. Na década passada foram realizados relevantes avanços. Todavia, doenças crônicas do fígado e cirrose são ainda a 4ª causa de morte para americanos na idade de 25 a 44 anos.

Aumento de pesquisas e educação preventiva podem reduzir o sofrimento e o peso econômico imposto por estas doenças.

 A Fundação Americana do Fígado empenha-se em:

> Aumentar os esforços de pesquisa para achar tratamentos efetivos e cura para mais de cem doenças do fígado.

> Informar os médicos sobre novos tratamentos e métodos diagnósticos.

> Promover educação preventiva sobre o abuso de substâncias, hepatite, e uso de vacinas.

> Proporcionar uma rede de organizações locais e grupos de apoio para pacientes com doença hepática e suas famílias.

Fonte: American Liver Foundation



13 comentários:

  1. Agradeço infinitamente por tão importantes informações.E desejo que um número cada vez maior de pessoas possam entrar em contato com esta fonte de saúde. Paz e luz no coração. lu

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  2. Boa matéria, mais houve um grande equivoco! O fígado não é o maior órgão do corpo humano e sim a pele.

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    1. pele não é órgão.

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    2. A pele (cútis ou tez), em anatomia, é o órgão integrante do sistema tegumentar (junto ao cabelo e pelos, unhas, glândulas sudoríparas e sebáceas), que tem por principais funções a proteção dos tecidos subjacentes, regulação da temperatura somática, reserva de nutrientes e ainda conter terminações nervosas sensitivas.

      A pele é o revestimento externo do corpo, considerado o maior órgão do corpo humano e o mais pesado. Compõe-se da pele propriamente dita e da tela subcutânea

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  3. Câncer.
    Gostaria de saber o nome do novo tratamento inglês que retiraram parte do fígado sem provocar hemorragia através de um dispositivo que cauteriza (cozinha a parte doente), evitando o maior problema neste tipo de cirurgia, grande hemorragia. Evita a necessidade de alta taxa de transfusão de sangue, e a recuperação do paciente parece ser extraordinária, em poucos dias já é dado alta. Abraços de Eduardo de sbc do risco de morte.

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  4. Excelente matéria amei Parabéns.

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  5. gostei muito da matéria . Mas pouco se falou da hemacromatose.. tenho ferritina alta e faço sangtias frequentes . meu hemo só me tirou a carne vermelha e o álcool como deixarde comer ´´tudo que tem ferro?´´

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  6. Excelente artigo, muito completo e esclarecedor. Ajudou muito . Parabéns.

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  7. Para quem sofre de hepatite "C" e cirrose e usar a planta chamada "CARDO MARIANO" limpa e renova as células do fígado... Mari

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  8. informaçoes importantíssimas...parabens

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  9. Parabéns pela matéria; foi de suma importância!

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  10. Amei está matéria, pois através dela pude ter uma noção de como me tratar, ou seja, comer as coisas certas sem sobrecarregar meu fígado.

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  11. Primeiramente quero parabenizar pelo o excelente trabalho. Acho que o mundo estaria melhor se as pessoas se ajudassem mais. Pra mim está sendo de suma importância, estou com o figado gordo e inflamado. E acredito que vai me ajudar.

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